23 janeiro, 2008

Ai a minha vida...

Lá na Junta abriram quatro concursos para admissão de pessoal. Ou seja, receber uma data de candidaturas tem sido a principal tarefa nestes últimos dias. Tenho andado feita barata tonta, sem saber para onde me virar, com tanto que há para fazer. Mas até ai tudo bem (afinal - bem ou mal - sou paga para trabalhar). O que me tira do sério é a quantidade de gente "tóni" que tem aparecido. Eu até me considero uma pessoa paciente, mas confesso que explicar a metade dos candidatos o que é um curriculo me tem tirado do sério!
Ora vejam lá o candidato tipico:
- Boa tarde, vinha inscrever-me para o concurso de auxiliar educativa.
- Trouxe os documentos mencionados no anúncio?
- Que documentos?
(começa bem)
- É necessário preencher este requerimento, trazer o curriculo, fotocópia do BI e contribuinte, e dos comprovativos das habilitações mencionadas na candidatura.
- O que é um curriculo?
(lá tento explicar o melhor que consigo)
- É uma folhinha com os seus dados pessoais, habilitações literárias e profissionais, experiência profissional, entre outros elementos que considere úteis.
- Ah, 'tá bem... Mas olhe que eu não tenho o diploma da escola...
- Mas é necessário...
- Mas eu não tenho...
- Mas é necessário...
- Mas eu não tenho...
(e podiamos continuar assim horas)
- Tenho ordens superiores para a aceitar a candidatura, mesmo que incompleta, mas informo já que assim será alvo de exclusão.
-Não faz mal.
(rendi-me...)
- Aqui tem o requerimento.
- Pode ajudar-me a preencher?
- Peço desculpa, mas tem de ser preenchido pelo próprio. Mas se tiver alguma questão em que possa ajudar...
(ai o que eu fui dizer!)
- Pode, pode! Aqui onde diz "naturalidade" escrevo o quê?
- Escreve de onde é natural.
(perante o ar de "fiquei na mesma" respondo)
- Está no bilhete de identidade.
- Ah, olha pois está! E nesta parte do e-mail ponho o quê? Eu não tenho e-mail!
- Se não tem não precisa de escrever nada.
- Pois, tem razão. Olhe, o que é isto das habilitações profissionais?
- São, por exemplo, cursos e formações que tenha feito.
- Mas eu não fiz nada disso.
-Então não necessita de colocar nada.
- E aqui na experiência, eu já fiz tanta coisa...
-Coloque apenas o que achar mais relevante, a restante informação estará mencionada no curriculo.
- E no agregado familiar, onde pede o grau de parentesco, ponho o nome do meu marido?
- Não, ai apenas põe o grau de parentesco, não o nome.
(enquanto isto se passa a sala vai enchendo, as pessoas vão bufando e refilando entredentes)
- Aqui no fim diz "Outras informações que considere relevantes". Ponho o quê?
- Pode pôr informações sobre si que sejam uma mais valia para a sua candidatura.
- Como por exemplo?
*suspiro*
- Passatempos (é melhor não dizer "hobbies" ou sou bombardeada com mais uma pergunta) e outras actividades...
- É melhor não pôr nada...
(é melhor é - penso eu)
- Obrigadinho pela ajuda menina, é muito simpática.
- Ora essa, estamos cá para isso.
(e já agora, tem ai um xanax que me dispense?)


Agora multipliquem por cinquenta!

4 comentários:

Anónimo disse...

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Não há uvida és um anjo e eu amo-te madre Paula do Casal do Silva

Sónia R. disse...

A vantagem de atender esse "tipo de gente" ao telefone é que posso pô-las em mute, respirar fundo, e manda-las para sítios que eu cá sei! Boa sorte para enquanto isso durar.

Ah! E vai continuando a escrever estas histórias aqui, que dão para passar um bom bocadinho :p

Anónimo disse...

como te compreendo. dois anos no banco a atender clientes...e parece que tudo é um teste budista....a testar a nossa paciencia e o nosso ser!
o que te posso dizer..é que nessas altura entra em limbo, nirvana algo assim foge dalí conscientemente...e no fim voltas...se isso custar muito um xanax prozac ou qlq tipo de ansiolitico resulta...
beijinho*
joao, paraquedista, dover! :D

Paulinha disse...

Decididamente não fui talhada para trabalhar em atendimento ao público...