07 abril, 2008

Indignada!

Não vos quero maçar com as minhas aventuras estudantis, mas esta história tenho mesmo de partilhar convosco.
A cena passou-se na última aula de Públicos e Comunicação, aula essa que é dada por dois panhonhas, um que fala (baixinho baixinho) mas não diz nada, e o outro que está calado, sentado, a olhar (será que é mudo?!?). Ora, o problema começa logo por aqui: como é que estes dois senhores que, por muito professores-doutores-catedráticos que sejam, ensinam "Públicos e Comunicação" se têm graves problemas de comunicação com o seu público? A mim parece-me estranho, para não dizer mesmo impossível...

Adiante, na primeira aula deram-nos uma bibliografia obrigatória só de livros em francês. Todos. Calhamaços em francês. Pilhas de livros em francês. Livros sem os quais é impensável fazer o trabalho final. Ora, o meu francês resume-se a croissant, baguette, omelet du fromage, toillet e fenetre (e aposto que metade destas palavras estão mal escritas!). Pelas reacções dos meus colegas, o mesmo de passa com muita gente, mas, e passo a citar o professor que fala (é assim que os distingo) "isso é um problema vosso, e se não sabem francês têm agora uma excelente oportunidade para aprender"(...)"e não, não há livros que os substituam". *suspiro* Quanto ao resto da aula foi, como é que hei-de dizer?, um completo vazio. Não aprendi absolutamente nada. Rien (olhem, olhem, francês!). Na aula seguinte, a mesma coisa. Nada. Na outra aula, faltaram os dois (se o que fala não pode ir, suponho que o mudo também não vai lá fazer nada...). Mas por aqui já dá para traçar o perfil das personagens.

Agora vamos ao que interessa: Sábado, às 14h e qualquer coisa entro na sala com mais meia dúzia de colegas e vejo toda a gente caladinha, em grupos, com um ar aterrado. Aparantemente os senhores encomendaram-nos como TPC a leitura de um desses livros em francês e agora na aula tinhamos de reler um capitulo e expôr os seus conteúdos à turma. Em vez de entrar em pânico, começei a rir-me. Eu não sou de virar as costas a um desafio, por isso toca de pegar nas folhas. "Li" três páginas, refilei o tempo todo porque se-isto-é-ensinar-vão-pra-puta-que-os-pariu (sim, com todas as letras porque estava furiosa!), atirei as folhas para o lado, peguei nas minhas coisas e toca de ir embora.

Agora digam-me: o que é que aqueles senhores fazem que justifique os mais de 3000€ que recebem para nos dar aulas? E por aulas entende-se, pensava eu, o professor ensinar e eu aprender. Mas aparentemente não. O problema é que, apesar de estes dois professores serem incrivelmente maus, o resto das disciplinas não são melhores. Dão quilos de bibliografia para ler, dão quilos de trabalhos para fazer, e pronto, está dada a aula, que é um mero local de apresentação de trabalhos e de aconselhamento de livros.


Ps1: E temos TPC para a próxima aula! Temos de investigar as fontes de financiamento da cultura e apresentar as nossas conclusões à turma. E está feita a próxima aula.

Ps2: Nunca mais ponho lá aos pés, excepto quanto for a entrega dos trabalhos.

Ps3: E falando em trabalhos, só por curiosidade, pelo que a malta percebeu do livro aquilo fala apenas do caso da cultura francesa, pelo que não vejo como é que isso se aplica aos nossos trabalhos finais, que são sobre casos nacionais. Enfim...

3 comentários:

NRF disse...

hey teachers leave those kids alone....

Sabes que a xulofona nisso rula... é sempre sempre a bombar, da ca o meu e estou me a cagar, dp admiram-se... para se ensinar tem de se gostar, se nao gostam vao trabalhar para outro lado q fazem melhor.

Qd tiveres assim ouves a "Panic" e ficas logo melhor ehhe ;)

bjs*

Sónia R. disse...

Será que essa gente se sente realizada com a profissão para a qual tanto estudou, e que escolheu? Parecem-me ser pessoas tristes e amarguradas...

Paulinha disse...

Nuno: mas eu estou numa faculdade pública, faculdade paga e docentes pagos com os teus impostos. Depois dizem que o ensino está mal... Pudera!

Sónia: o problema começa logo porque os docentes nos mestrados não são professores, "estão professores". Existem alguns, como o que disse essa coisa de "estar professor" que dão aulas muito interessantes, mas existem outros que tem tanta vocação para ensinar como eu para ser pobre ;)