21 julho, 2009

Em terras de Moçambique

Depois de velho, o meu pai decidiu ir trabalhar para Moçambique. Diz que apareceu uma daquelas propostas irrecusáveis e decidiu arriscar. Não deixa de ser estranho saber que o nosso pai está tão longe. Sempre me habituei à distância que existe entre nós, um em Lisboa e o outro no Porto, mas nunca foi nada que uma rápida viagem de comboio não resolvesse. Moçambique é um bocado mais longe.

Não me fui despedir dele. Não gosto de despedidas. Condenável ou não, foi a minha decisão. Agora só o vejo quando ele regressar, no final do ano. Provavelmente não o veria antes mas - lá está - é diferente.

Acho que lhe vai fazer bem, vai aprender a dar mais valor ao que tem em casa, à família, ao conforto, a tudo... Ele até estava entusiamado com a viagem, mas à medida que a data se aproximava, senti-o perder a confiança. Andar de avião assusta-o de morte! Não é medo: é pânico! Fobia! Mas lá foi e chegou bem.

Esteve estes dias em Maputo mas hoje parte para Lichinga, que é a capital da província onde ele vai estar. Andei a passear pelo google maps e wikipédia, para ver onde aquilo é. Basicamente, é longe pa burro. Moçambique é grande, não fazia ideia! Ele mandou-me uma sms antes de embarcar. Vai andar numa daquelas avionetas pequenitas, que, imagino eu, deve estar cheia de galinhas, porcos e caixotes com bananas. Pobre homem, deve estar com o coração nas mãos. Mas vai correr tudo bem.

Lichinga

Ele está bem, mas está longe, está nostalgico, tem saudades. É normal, acho... Mas é estranho não falar com ele todos os dias. Não estou a lidar tão bem com isto, como pensava... É uma questão de hábito.

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